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sexta-feira, 22 de maio de 2015

Histórias da Maria #4!

Capítulo IV


Desculpa, desculpa, desculpa, desculpa... – repetiu na sua cabeça infinitas vezes, sem no entanto ter a certeza de ter articulado uma sequer palavra em voz alta.
O ecrã do iPhone estava completamente estilhaçado.


Sentia-se completamente encarnada e inconcientemente manteve a cabeça baixa para desviar o olhar dele.



- Eu pago! – disse ela, conseguinfo finalmente falar, alto, por ter arrancado a frase com esforço.



Como pagaria não tinha a certeza,  visto que tinha de recorrer a truques de magia para que orçamento mensal lhe chegasse para todas as despesas da casa (que o João não se sentia preparado para dividir com ela, claro).



- Calma. Não precisas.



- Preciso, claro que sim! Tu foste mal educado, mas eu fui uma besta. Quer dizer...desculpa, não te queria estar a chamar mal-educado agora que já te parti o telemóvel e tudo devia era estar caladinha. Tu...



- Calma. – Repetiu ele pegando-lhe nas mãos suavemente ara que ela parasse de esbracejar. E tremer. Só ali se apercebeu que estava a tremer. – Eu tenho seguro. Não me vai custar nada , tirando o incómodo.



- A sério? Juras?



Ele acenou que sim e ela deixou-se cair na cadeira novamente. Naquela manhã já tinha envelhecido dez anos.



- Agora deixa-me trazer-te um cházinho e qualquer coisa a acompanhar que acho que o teu mal e fome.



O tom brincalhão dele, não diminui o embaraço dela em nada e nem conseguiu fingir um sorriso. Felizmente, ele tinha-os de sobra.

Passaram quase duas horas a conversar enquanto ela penicava o tal do brunch aos poucos – e ele também. Começaram por falar de coisas tão corriqueiras como o tempo – a tentativa dele para a acalmar e fazer esquecer do episódio anterior – e acabaram a trocar piadas (ele tinha um portfólio impressionante).



- Até que enfim que te oiço uma gargalhada! – notou ele.



E ela contou-lhe como o seu pai lhe contava sempre as mesmas anedotas e ela se ria sempre. Então falaram da família, do trabalho. O café era dele, deixou-lhe a mãe essa reponsabilidade antes de ir em busca de uma oportunidade de trabalho no Luxemburgo. E ele tirou férias do desemprego que experimentava desde que terminou o curso de arquitetura – e depois de alguns estágios desapontantes em todos os sentidos – e aceitou o desafio.



No final, ela tinha a alma dois quilos mais leve, mas só a alma: estava certa de ter comido o equivalente ao seu peso durante aquele par de horas. Quis pagar e ele não deixou. Insistiu que, se ela quisesse, pagaria o jantar, num sítio à escolha dele.



De alguma forma, durante toda a conversa ela nunca mencionara o João. E sem pensar mais no assunto aceitou as condições do Rodrigo. Era esse o nome do moço do café a quem ela partira o iPhone.











Post mensal escrito pela blogger Maria do blog «Maria das Palavras» (http://daspalavras.blogs.sapo.pt/)  em parceria com este blog!

2 comentários:

  1. Pronto, está resolvido. Vai-se o João e fica o Rodrigo!

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  2. A Maria tem muito jeito:) Gosto muito de a ler:) obrigada ás duas :)

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